| Action Comics | |
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Action Comics #1, a primeira aparição do Superman. |
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| Editora | DC Comics |
| Publicação | |
| Formato de publicação | Série mensal |
| Qte. de edições | 909 [nota 1] + 13 anuais |
| Data das edições | Abril de 1938[nota 2] - atualmente |
| Personagens | Superman |
| Equipe criativa | |
| Escritor(es) | Grant Morrison |
| Arte | Rags Morales |
| Projecto Banda Desenhada · Portal da Banda Desenhada | |
Action Comics é uma revista em quadrinhos publicada pela editora norte-americana DC Comics, uma empresa ligada ao grupo Time-Warner. É atualmente comercializada em edições lançadas mensalmente, e, apesar das alterações em suas periodicidade e formato, inclusive com a suspensão de sua publicação em mais de uma oportunidade, já teve mais de 900 edições lançadas, o que a torna, em quantidade de edições, a maior série de seu gênero na história dos Estados Unidos.[4][5] Lançada originalmente em abril de 1938[3] - sendo posterior à Adventure Comics (dezembro de 1935) e à Detective Comics (março de 1937), que, apesar da menor quantidade de edições, é a mais longeva revista publicada continuadamente, pelo período em que já vem sendo lançada ininterruptamente[6] - é considerada uma das mais importantes e emblemáticas revistas em quadrinhos existentes.
O primeiro exemplar da revista, apresentando em sua capa uma famosa imagem de Superman carregando com as mãos um automóvel, é considerado o "marco zero" das histórias em quadrinhos americanas de super-herói[7] e é um dos, se não "o" mais valioso item colecionável de todo o mercado, sendo uma das edições mais procuradas e valorizadas por aficcionados.[8] Um exemplar original em bom estado dessa primeira edição já chegou a ser leiloado por 1,5 milhões de dólares[9] - e sua capa já foi alvo tanto de homenagens quanto de debate.
Índice |
Jerry Siegel e Joe Shuster viram sua criação, Superman, lançado em Action Comics #1 em abril de 1938, após por anos tentar, sem sucesso, encontrar uma editora para seu personagem, originalmente concebido para ser publicado como uma tira de jornal.[3][10], até que em 1938 a "National Periodical Publications", com quem os dois já haviam trabalhado anteriormente, os convidou para contribuir com um novo personagem para a mais recente publicação da National. Mostraram Superman para apreciação, e uma vez aprovado, passaram a recortar e colar as tiras de jornal da amostra que tinham preparado no formato de páginas de uma revista em quadrinho.[2][11]
A escolha de Superman como o personagem que figuraria na capa, em meio aos vários personagens que também apareceriam, seria posteriormente citada por Liebowitz como "quase acidental", em razão do escasso prazo de fechamento da revista, mas se mostraria acertada: toda a tiragem seria vendida rapidamente[6] e, a partir de sua quarta edição, Action já começaria a apresentar um significativo aumento em suas vendas, em comparação com os demais títulos da National: entre 1938 e 1939, já possuía uma tiragem de mais de 500 mil exemplares[12] - mais que o dobro da tiragem inicial da primeira edição, de 200 mil exemplares.[13]
Se no final da década de 1930 a revista já vendia cerca de 500 mil exemplares, na década de 1940 esse número já havia quase dobrado, com cada exemplar vendendo 900 mil cópias, um tiragem à época superada apenas pela revista Superman, lançada em 1939. Action passaria a focar-se majoritariamente nas histórias de Superman, e as tramas iriam evoluindo, refletindo o cotidiano dos Estados Unidos: Se nas suas primeiras aparições Superman enfrentava criminosos comuns e políticos corruptos, com o tempo suas histórias passariam a ganhar um viés mais "extraordinário" com o surgimento dos primeiros "supervilões" a enfrentar o personagem. O Ultra-Humanoide já havia aparecido numa história isolada em 1939, mas seria na década seguinte que personagens dessa categoria se tornariam mais populares: Lex Luthor, o Galhofeiro e o Homem dos Brinquedos surgiriam nos anos seguintes.[12]
Originalmente, Action Comics era uma antologia com uma série de outras histórias, além daquelas protagonizadas por Superman. Zatara, o mágico, era um dos outros personagens que tiveram suas próprias histórias publicadas nas primeiras edições[14] ao lado do Vigilante e de Tex Thomson, que eventualmente se tornaria também um super-herói, adotando as alcunhas de "Mr. América" e "Americommando"[14][15]. Gradualmente, a quantidade de páginas da revista foi sendo reduzida, como forma de evitar com que o preço de capa de 10 centavos por edição fosse aumentado. Diminui-se a quantidade de histórias publicadas por edição e, consequentemente, havia menos espaço para outros personagens que não Superman. Após a introdução da Supergirl na edição #252, em maio de 1959, as histórias não relacionadas ao Superman ficariam completamente esquecidas.[16][7]
Em 1947 teria início a disputa de Siegel e Shuster com a editora pelos direitos do personagem, o que resultaria em um julgamento desfavorável aos criadores, bem como na perda de seus empregos.[12] O afastamento dos dois representaria uma significativa queda na qualidade das histórias durante a primeira metade da década seguinte. Adicionalmente, o surgimento do Comics Code Authority, em 1954, uma organização que impôs uma série de regras que visavam impedir que as histórias influenciassem negativamente as crianças americanas, também seria visto como um fato que contribuiria para que a década de 1950 fosse considerada uma "década perdida" para o personagem, ainda que tivesse ocorrido em 1958 e 1959 a publicação de histórias que estabeleceriam importantes elementos da mitologia de Superman: em Action Comics #241 seria publicada a primeira história envolvendo o conceito de uma "Fortaleza da Solidão"[17] e na edição seguinte surgiria Brainiac, que viria a se tornar um dos mais importantes antagonistas. Em março do ano seguinte seria publicada Action Comics #252, responsável por apresentar Kara Zor-El, a prima de Superman, a primeira personagem a adotar a alcunha de Supergirl e continuar aparecendo de forma recorrente nas histórias da editora. Em maio do mesmo ano surgiria Bizarro, uma versão defeituosa de Superman inspirada numa história publicada no ano anterior na revista Superboy #68.[18]
Com a publicação, na 123ª edição da revista The Flash, da história "Flash of Two Worlds", surgiria o conceito do "Multiverso DC", uma representação ficcional da interpretação da mecânica quântica que propõe a existe de universos paralelos. A partir da história, ficaria estabelecido que os personagens surgidos durante o período denominado por historiadores como "Era de Ouro dos Quadrinhos" (entre 1938 e 1955), bem como as histórias por eles protagonizadas, pertenceriam a um universo paralelo denominado "Terra 2", distinto daquele em que ocorriam as histórias publicadas pela editora durante a década de 1960.[19]
Uma vez que as histórias de Superman vinham sendo publicadas ininterruptamente era preciso esclarecer quais edições de Action Comics pertenceriam ao cânone estabelecido, e em 1969 ficou decidido que o personagem surgido em Action Comics #1 era Kal-L, o Superman da Terra 2 e somente as histórias publicadas durante a década de 1960 que poderiam ser consideradas como protagonizadas pelo "Superman da Terra 1". A década de 1960 marcaria também o surgimento do vilão Parasita na 340ª edição de Action.[20] Sob o título de Superman starring in Action Comics a revista continuaria sendo publicada até setembro de 1986, quando encerraria-se, por causa da conclusão do evento "Crise nas Infinitas Terras", a continuidade ficcional iniciada na década de 1960, com a publicação, na 583ª edição, da conclusão da história Whatever Happened to the Man of Tomorrow?, escrita por Alan Moore e desenhada por Curt Swan com a colaboração de Kurt Schaffenberger e George Pérez.[21]
Em 1986 Action passaria pela primeira alteração na sua periodicidade: Durante três meses a revista deixou de ser publicada, por sua relação com Superman. Entre outubro e dezembro daquele ano o único título protagonizado pelo personagem seria a minissérie The Man of Steel, escrita e desenhada por John Byrne.[22] No ano seguinte, após a conclusão da minissérie, Byrne assumiria os roteiros e desenhos da revista, que passou, a partir da edição 584, a ser uma revista dedicada à histórias do gênero team-up.[23] No segundo semestre de 1988, após a revista atingir a histórica marca de 600 edições publicadas, Byrne sairia do título e a DC Comics tentaria retormar o formato de antologia, publicando a revista numa periodicidade semanal. A mudança duraria até junho do ano seguinte, e compreenderia as edições 601 à #642.[22] Dentre os personagens que tiveram histórias curtas publicadas na revista durante este período estão, além de Superman, Asa Noturna, Canário Negro, Deadman, Falcão Negro e o Vingador Fantasma.[24][17][25]
Embora certos historiadores apontem a década de 1990 como parte da "era moderna" dos quadrinhos (período histórico que compreenderia de 1986 até a atualidade), muitos estudos a separam numa "era" distinta, denominada "Era de Ferro" ou "Era das Trevas", por seu conteúdo sombrio e dramático. Nem Superman e, consequentemente, nem Action Comics passariam incólumes: após confrontar o monstro Apocalypse, Superman, embora bem-sucedido em derrotá-lo, faleceria.[26][27] As duas edições de Action que foram publicadas em novembro e dezembro de 1992, após a morte do personagem, retrataram em sua capa uma versão distinta de seu título: Com Superman morto, e transcorrendo o arco de história "Funeral para um Amigo", a revista não se chamou Superman in Action Comics, mas sim Supergirl in Action Comics. A partir de janeiro de 1993, a publicação da revista foi suspensa, e só foi retomada quatro meses depois, com o início do arco Reign of the Supermen, que mostrou quatro diferentes personagens buscando substituir Superman: Aço, Superboy, Superciborgue e o Erradicador, um personagem que havia surgido em 1989 como vilão, mas que passaria a apoiar Superman. As história do Erradicador foram publicadas em Action Comics até que Superman retornasse.[26][28][29]
Durante Reign of the Supermen a fictícia cidade americana de Coast City, lar do personagem Hal Jordan, foi completamente destruída pelo vilão Superciborgue[26][28] e a perda de Jordan seria utilizada pela editora como pretexto para o lançamento, em 1994, do crossover Zero Hora. O objetivo da DC Comics com o evento era corrigir incongruências cronológicas na história do fictício universo das publicações surgidas após a "Crise nas Infinitas Terras" - parte delas decorrentes das alterações que John Byrne havia promovido na origem de Superman[27] - e o de Jordan era impedir a destruição de Coast City, e para tanto objetivava destruir o universo para poder recriá-lo, "corrigindo" a história. A minissérie que deu nome ao evento foi publicada em cinco edições, lançadas com uma numeração decrescente. A última edição, de número "0", representou o início do "Mês Zero", em que todas as revistas então publicadas pela editora ganharam também edições assim numeradas, mas retomando sua numeração comum no mês seguinte.[30][31] Assim, entre as edições 703 e 704, há a edição 0 de Action Comics.[32][33]
Em setembro de 1998, novamente um evento implicaria na publicação de uma edição numerada extraordinariamente: "DC Um Milhão". Idealizada por Grant Morrison, então escritor da revista JLA, a história narrava o encontro de Superman e da Liga da Justiça com Kal Kent e a "Legião da Justiça", seus sucessores do século 853 - data escolhida por Morrison justamente por ser o ano em que seria publicada Action Comics #1,000,000. Como parte do evento, não apenas Action, mas todas as revistas da editora tiveram edições especiais numeradas desta forma, cada uma retratando qual seria "o legado" deixado por cada personagem naquele século.[34][35][36][37][38][39][40]
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Geoff Johns (esquerda) escreveu uma série de histórias significativas na revista, parte delas em conjunto com o cineasta Richard Donner (direita).
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Quando Eddie Berganza assumiu as funções de editor responsável pelas histórias de Superman, incluindo as publicadas em Action Comics, o personagem vinha passando por baixas vendas, e suas histórias tinham pouca repercussão. Uma equipe capitaneada por Jeph Loeb, que se tornou o escritor de Superman, e Joe Kelly, que assumiu os roteiros de Action, tomou para si a responsabilidade de "revitalizar" o personagem, e a partir de dezembro de 199 começou a promover inúmeros questionamentos acerca das várias facetas que o definiam.[41][42][43]
Kelly permaneceu na revista até dezembro de 2003, com o lançamento da 810ª edição,[41] mas retornaria à revista em fevereiro e março do ano seguinte para coescrever com Michael Turner o arco de história Godfall - O Fim dos Deuses.[44] A partir da 814ª edição Chuck Austen[45] passaria a ser o escritor regular da revista, que deixaria de estampar em sua capa o título "Superman in Action Comics", adotado continuadamente desde o fim de Action Comics Weekly, em favor somente de "Action Comics". Dentre os escritores que o sucederam, ainda que brevemente, estavam Judd Winick[46][47][48], Gail Simone[49] e Kelly, que retornaria à revista unicamente para escrever "Superman, This is Your Life", um arco ligado ao evento "Crise Infinita".[50]
Em 2006, após a conclusão de Crise Infinita, o próprio escritor do evento, Geoff Johns, assume o cargo de roteirista de Action Comics - inicialmente ao lado de Kurt Busiek[51] e posteriormente do cineasta Richard Donner.[52] No final de 2007, Johns passou a escrever a revista sozinho, com Gary Frank assumindo as funções de desenhista da revista.[53] Como parte dos eventos envolvendo Nova Krypton, o escritor Greg Rucka, que anteriormente já havia sido responsável pelos roteiros da revista Adventures of Superman, sucederia Johns, escrevendo Action Comics entre 2009 e 2010. Com o fim dessas histórias, Paul Cornell o substituiria a partir da edição 890, tendo o vilão Lex Luthor como protagonista da revista durante o arco de história Black Ring, desenhado por Pete Woods.[54][55]
Embora a edição 900 da revista representasse não apenas a conclusão de Black Ring, como também uma continuação à história Reign of Doomsday - um crossover entre todos os personagens relacionados à Superman até então publicado em outras revistas[5] - e o retorno de Superman ao papel de protagonista da revista, ela se tornaria particularmente conhecida pela história curta "The Incident" em que, declarando-se cansado de ver suas ações sendo consideradas um instrumento da política do Governo dos Estados Unidos, Superman renuncia à sua cidadania americana.[56][57]
A conclusão de Reign of Doomsday se deu em agosto de 2011, na edição 904.[58] Em maio de 2001, entretanto, a DC Comics já havia anunciado que relançaria toda a sua linha editorial de quadrinhos de super-herói, e também que passaria a promover o lançamento simultâneo de todas as edições impressas com suas respectivas versões digitais, sendo a primeira editora americana a adotar tal postura.[59] e o escritor Grant Morrison foi anunciado como o novo escritor de Action Comics, ficando responsável por recontar o início da carreira de Superman, fornecendo uma versão modernizada as histórias originalmente publicadas em 1938.[60]
906 edições - 904 edições regulares[61] e 2 edições especiais numeradas "0" e "1.000.000" - e 13 "anuais"[62] da revista foram publicados entre abril de 1938 e agosto de 2011. Dentre as histórias publicadas na década de 1980 destacam-se as histórias "Luthor Unleashed" e "Rebirth!", ambas publicadas em Action Comics #544, edição comemorativa que celebrou o 45° aniversário da publicação, e responsáveis por reformular os vilões Lex Luthor e Brainiac, respectivamente, e Whatever Happened to the Man of Tomorrow?, escrita pelo britânico Alan Moore e considerada uma das melhores e mais importantes histórias do personagem, cuja conclusão foi publicada em Action Comics # 583. Desenhada por Curt Swan, com a colaboração de Kurt Schaffenberger e George Pérez, foi a última história publicada na revista sob o comando do editor Julius Schwartz, e foi produzida com o objetivo de representar como seria "a história final" da revista e do personagem.[21][63][64][65]
Na década de 2000 o escritor americano Joe Kelly escreveu What's so Funny about Truth, Justice & the American Way?, onde o personagem enfrenta "A Elite", um grupo de super-heróis liderado por Manchester Black, que questiona os valores morais do personagem.[43] A história seria considerada pela Revista Wizard como uma das mais bem escritas da década,[42] e vista tanto por público e crítica como uma das melhores já publicadas do personagem sendo inclusive sido selecionada para a coleção Superman: The Greatest Stories Ever Told.[66]
Com o relançamento de toda a linha editorial de quadrinhos de super-herói da DC Comics, a revista foi relançada em 7 de setembro de 2011.[61] Desde então, 3 edições foram publicadas.
Ainda em 1939 já se percebia o impacto do sucesso de Action Comics com Superman: Bob Kane foi contratado pela editora para criar "um novo combatente do crime", que veio a ser publicado na 27a edição de Detective Comics. Batman, inicialmente chamado de "Bat-Man", posteriormente viria a se tornar o herói mais popular da revista, e de forma similar ao que ocorria com Superman em Action, passaria a figurar na maioria das capas da publicação.[12]
Outras editoras também perceberam o impacto causado pelo personagem e passaram a publicar histórias de "super-heróis". Dentre os personagens que surgiriam estavam "Wonder Man", "Master Man", "Steel Sterling" e "Mr. Muscles" - este último criado pelo próprio Jerry Siegel após ele ser demitido pela DC Comics.[12]
A própria figura do "super-herói combatente do crime" teria surgido na primeira edição da revista, e esta seria, segundo a imprensa, a sua mais marcante caractéristica, e não apenas "conter a primeira aparição de Superman":
| O fato não é que Action Comics #1 contem a primeira aparição de Superman, mas sim que contem a primeira aparição do super-herói moderno. Todos os estereótipos do gênero foram combinados pela primeira vez nessa revista: superpoderes, identidade secreta, origens pseudocientíficas e roupas apertadas. Superman era uma junção entre mito grego e Flash Gordon, vivendo uma porção do cotidiano comum. E é essa mesma combinação que se vê ainda hoje, com as bem-sucedidas franquias cinematográficas baseadas em Batman, no Homem de Ferro e nos X-Men.[nota 3] |
Mark Seifert, do site Bleeding Cool, apontararia em um texto sobre a iminente possibilidade do título ser relançado com um novo número 1 que "nunca haverá outra edição como esta. Em 1938, Action Comics 1 mostrou ao mundo o Superman de Jerry Siegel e Joe Shuster, mudando o mundo dos quadrinhos e do entretenimento, e pelos 73 anos seguintes Superman se tornaria um dos mais conhecidos personagens fictícios do mundo".[nota 4] Em artigo publicado em 2008 sobre o aniversário da editora DC Comics, o jornalista Marcus Vinicius de Medeiros apontaria que, com a publicação de Action Comics #1, Jerry Siegel e Joe Shuster teriam criado "o personagem mais significativo, reconhecido e relevante de todos os tempos, dando início a um gênero, uma Era, uma indústria, algo maior em que acreditar, uma força que ressoa até hoje e não pode ser detida. Eles criaram o Superman (Super-Homem), o gênero dos super-heróis, a Era de Ouro dos Quadrinhos, a própria indústria das revistinhas, a crença em que um homem pode voar e fazer qualquer coisa, resultando hoje no conjunto editorial chamado DC Comics, que há 70 anos encanta o mundo com personagens maravilhosos e envolventes".[70] Vincent Zurzolo, sócio da "ComicConnect.com", site responsável por intermediar expressivas vendas de exemplares da primeira edição da revista nos valores de US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão, declararia ainda, em entrevista, quando questionado sobre o valor da revista, tanto cultural quanto monetário:[71]
| Alguns dos empresários de maior sucesso hoje eram geeks ontem. Eles não querem um Van Gogh ou um Picasso. Querem colecionáveis que tenham significado para si.[71] |
Estima-se que, da tiragem inicial, existam somente cerca de cem exemplares restantes.[13] Um exemplar de Action Comics #1 em boas condições de conservação é, ao lado de Detective Comics #27 (a primeira aparição de Batman) e Superman vol. 1 #1 (a primeira revista dedicada exclusivamente à Superman, lançada em 1939), um dos mais valiosos itens colecionáveis do mundo, quando se trata de histórias em quadrinhos.[72][73][68][74] O site norte-americano Nostomania, especializado na avaliação de exemplares clássicos, atribui à uma hipotética edição em impecável estado de conservação, tanto da 27ª edição de Detective quando da 1ª de Action um valor de mercado superior à 3 milhões de doláres.[75]
Em um leilão realizado em 2009, uma cópia da primeira edição cujo estado de conservação foi avaliado em 6,0 pelo Comic Guaranty LLC foi vendida por 317 mil doláres. Em fevereiro do ano seguinte, uma cópia avaliada em 8,0 foi vendida por um milhão de dólares, o mais expressivo valor já conseguido até então por um único exemplar de qualquer revista em quadrinhos.[76] Em março de 2010, uma outra cópia - cujo estado de conservação foi avaliado em 8,5 pela organização - foi vendida por 1,5 milhão[13], tornando-se a mais cara revista em quadrinhos já adquirida, bem como a mais bem avaliada cópia de uma publicação clássica.[77]
Mesmo um exemplar avaliado como 5,0 possui significativo valor de mercado: em julho de 2010, o site da rede de de televisão ABC destacou a história de uma família americana que, na iminência de ver sua casa ser hipotecada, após a mesma pertencer à família por mais de 50 anos, descobriu um exemplar de Action Comics #1 dentre os bens armazenados no porão da residência. Avaliada em cerca de 250 mil dólares, a revista foi oferecida ao banco como garantia[78] e em setembro do mesmo ano, leiolada por 436 mil dólares, valor mais que suficiente para saldar as dívidas da família.[79]
Destes possíveis cem exemplares restantes, há, além destas três, outras seis cópias conhecidas. Dentre as quatro com avaliações superiores à "6,0", uma, avaliada como "6,5", foi leiloada em junho de 2011 por 625 mil dólares. Uma destas quatro pertence ao lojista Edgar Church, e seu alegado elevado estado de conservação a fez ser considerada como a mais valiosa revista em quadrinhos do mundo.[69][80] As outras duas cópias, avaliadas em "3,0" e "6,0" na escala de conservação, foram leiloadas, respectivamente, em abril de 2010 e março de 2009.[81]
O valor da revista já foi mencionado inclusive em outras mídias: No episódio "Homie the Clown" da série de animação Os Simpsons, o personagem Krusty é retratado como sendo um astro de cinema e televisão tão rico que era capaz de usar uma cópia de Action Comics #1 para acender um cigarro.[82]
Em seu livro Our Gods Wear Spandex, o escritor Christopher Knowles, conhecido por seu trabalho como editor da revista Comic Book Artist, apontaria o surgimento de Superman como tendo características messiânicas, por por seu atos de altruísmo e sacríficio.[83] Posteriormente, em artigos publicados no site Comic Book Resources, Knowles estabeleceria uma série de semelhanças entre a capa da edição e a pintura "Hércules e a Hidra", do pintor italiano Antonio del Pollaiolo:
O posicionamento dos personagens seria utilizado como comparação - tanto Hércules quanto Superman estão com seus braços e joelhos levantados, e posicionados de forma angular em ambas as imagens - mas imaginando que poderia ser questionado sobre como dois jovens moradores de Cleveland poderia ter tido acesso à pinturas italianas para utilizar como referência, Knowles apontaria que a imagem já estaria disponível em bibliotecas, em livros impressos antes da publicação de Action Comics #1, e sendo Siegel historicamente um fã da figuras mitológicas, ele poderia ter sugerido à Shuster que se inspirasse em imagens de Hércules.[84] Durante a exposição de sua teoria, Knowles não apenas estabeleceria a semelhança entre as duas imagens, como também entre as histórias de Superman publicadas à época e o mito de Hércules e entre outras capas de Action e os feitos do semideus: a capa de Action Comics #27, utilizada como exemplo dessa tendência, retrata Superman enfrentando um leão, em pose similar à de figuras retratando Hércules durante seu confronto com o Leão de Neméia. Mesmo que a pintura de Pollaiuolo não tenha sido uma influência direta, Knowles argumenta, a capa de Action Comics #1 poderia estar retratando Superman naquela pose específica por causa da pose sugerida pela constelação de Hércules.[85]
Chris Sims, ao listar quais seriam as "25 melhores capas", dentre as então 899 edições da revista, começou justamente pela capa da primeira, dizendo: "não é apenas uma das melhores capas de toda a história de Superman, mas sim uma das melhores capas da história das revistas em quadrinhos. Ponto. A icônica imagem de Joe Shuster deu ao herói criado por ele uma incrível sensação de movimentado e ação. O carro sendo esmagado por Superman, o pneu solitário arremessado pela força do impacto, e até mesmo a incrível figura do sujeito no canto esquerdo, tão espantado quanto qualquer pessoa ficaria se visse aquilo. É inquestionavelmente a mais icônica imagem em quadrinhos existente por um bom motivo".[nota 5] Marcus Ramone, do site Universo HQ, apresentaria opinião semelhante: "Na capa de Action Comics # 1, mais do que mil palavras, a imagem já mostrava aos leitores que aquele herói vestido de azul e vermelho era diferente de todos os outros".[86]
A imagem foi também alvo de inúmeras homenagens e releituras, em especial em revistas ligadas à Superman: Em Action Comics #685, por exemplo, Butch Guice elaborou uma versão da capa com Supergirl no lugar de Superman, e em janeiro de 2004, durante a publicação do arco de história em três pares "Strange New Visitor", responsável por incorporar o personagem Mr. Majestic, originalmente do Universo WildStorm, no Universo DC, durante um período em que Superman se encontraria desaparecido e Metrópolis, suscetível à ataques, a DC Comics publicou Superman #201, que, além de concluir a história, apresentou em sua capa uma arte do desenhista Ed McGuinness retratando Majestic no lugar que seria de Superman, esmagando o carro.[87][88]
Por duas vezes tal homenagem se daria através de uma versão reimaginada da capa: Drew Struzan pintou uma versão da imagem como se vista de um diferente ângulo, para a capa de Action Comics #800[89] e a edição comemorativa Action Comics #900 foi lançada em abril de 2011 com duas capas. Uma delas, cuja arte foi pintada por Alex Ross, também apresentava um diferente ângulo do arremesso do carro.[90]
Além dos quadrinhos, outras mídias homenageariam a capa da primeira edição: no filme Superman Returns, uma cena em que o ator Brandon Routh, interpretando Superman, ergue um carro sob sua cabeça, foi especificamente filmada com o objetivo de homenagear a capa de Action Comics #1[91]; na série Smallville, o personagem Lex Luthor é retratado como um fã de quadrinhos, em especial do personagem "Warrior Angel".[92] O personagem é uma alusão à Superman, e sua primeira aparição, na fictícia "Fantasy Comics #31", uma homenagem à Action Comics #1.[93]