| Batalha de Crisópolis | |||
|---|---|---|---|
| Guerras Civis da Tetrarquia | |||
À esquerda: busto de Licínio; à direita: cabeça de uma estátua colossal de Constantino, atualmente nos Museus Capitolinos, em Roma |
|||
| Data | 18 de setembro de 324 (1 687 anos)[1] | ||
| Local | Crisópolis (atual Üsküdar, Istambul, Turquia) | ||
| Resultado | Vitória de Constantino | ||
| Combatentes | |||
|
|||
| Baixas | |||
|
|||
A Batalha de Crisópolis foi travada em 18 de setembro de 324[1] no que é hoje a Turquia, entre dois co-imperadores romanos, Constantino e Licínio. Os combates ocorreram em Crisópolis, (atualmente Üsküdar), perto da cidade de Calcedónia (atualmente Kadıköy), que hoje são distritos urbanos no lado asiático (oriental) de Istambul.
A batalha foi o recontro final entre os dois co-imperadores. Depois de ter sido derrotado na Batalha do Helesponto, Licínio retirou as suas tropas de Bizâncio para Calcedónia, no outro lado do Bósforo, então parte da Bitínia. Constantino seguiu-o e venceu a batalha que se sucedeu. Esta vitória deixou Constantino como o único imperador, acabando assim o período da Tetrarquia.
Índice |
A marinha de Licínio sofreu uma derrota catastrófica na Batalha do Helesponto. O seu almirante, Abanto, foi vencido pelo filho de Constantino, Crispo, apesar da frota deste ser significativamente mais pequena.[2][3] A seguir a esta vitória naval, Constantino atravessou o estreito para a Ásia Menor, usando uma flotilha de transportes leves, a fim de evitar o exército inimigo, o qual, sob o comando de Martiniano, recentemente nomeado co-imperador por Lícinio, vigiava a costa em Lampsaco, na parte norte do Helesponto.[4] Depois da destruição das suas forças navais, Licínio evacuou a sua guarnição de Bizâncio e juntou-se ao grosso do seu exército em Calcedónia, na costa asiática do Bósforo. Daí convocou as forças de Martiniano e um bando de visigodos liderados por Aliquaca (ou Alica) para que reforçassem o seu exército principal, o qual estava enfraquecido pela derrota anterior na Batalha de Adrianópolis.[5][6]
O exército de Constantino desembarcou na margem asiática do Bósforo num local chamado Promontório Sagrado e marchou para sul em direção a Calcedónia. Licínio moveu o seu exército alguns quilómetros para norte, em direção a Crisópolis. As tropas de Constantino alcançaram os arredores desta cidade antes das forças de Licínio. Depois de se retirar para a sua tenda para procurar orientação divina, Constantino decidiu tomar a iniciativa. O aspeto religioso do conflito refletiu-se no facto das tropas de Licínio usarem imagens dos deuses pagãos de Roma, que faziam questão de ostentar, enquanto que as forças de Constantino combateram sob o estandarte "talismânico" cristão, o lábaro. Licínio tinha desenvolvido um receio supersticioso do lábaro e proibiu as suas tropas de o atacarem ou olharem para ele. Ao que parece, Constantino evitou usar quaisquer manobras subtis, lançou um único assalto frontal massivo contra as tropas de Licínio e pô-las em debandada.[6][7]
A vitória foi decisiva, naquilo que foi uma batalha em grande escala. O historiador Zósimo (século V-VI) escreveu que «houve uma grande matança em Crisópolis».[8] As baixas do exército de Licínio ter-se-iam cifrado entre 25 e 30 mil mortos, a que se somaram muitos milhares que desertaram ou se puseram em fuga.[5] Licínio conseguiu escapar e reuniu cerca de 30 000 soldados sobreviventes na cidade de Nicomédia.[9]
Reconhecendo que as tropas que lhe restavam em Nicomédia não resistiriam ao confronto com o exército vitorioso de Constantino, Licínio foi persuadido a entregar-se à mercê do seu inimigo. Constância, a mulher de Licínio e meia-irmã de Constantino, atuou como intermediária. Inicialmente Constantino atendeu os pedidos da sua irmã e poupou a vida ao cunhado, mas alguns meses depois mandou executá-lo, quebrando o juramento solene que fizera. Um ano depois seria a vez do filho de Licínio, sobrinho de Constantino, o jovem Licínio II, ser vítima da raiva ou suspeitas do tio.[5] Com o desaparecimento do sobrinho, Constantino tornou-se o único imperador do Império Romano, o primeiro desde a elevação de Maximiano ao status de augusto por Diocleciano, em abril de 286. Depois da conquista da parte oriental do Império Romano, Constantino tomou uma das decisões que o tornou mais famoso: dar a essa parte do império uma capital e torná-la a segunda capital imperial. Para isso escolheu Bizâncio, que foi rebatizada de Constantinopolis ou Nova Roma.[10]