| Igreja Católica |
|
Basílica de São Pedro, no Vaticano |
|
|
Organização e Direito
|
|
|
Formação cristã
|
|
|
Outros tópicos
|
|
A Igreja Católica Romana no Afeganistão é parte da Igreja Católica Romana, sob a liderança espiritual do Papa e da Cúria Romana, em Roma. Há pouquíssimos católicos neste país de maioria muçulmana — pouco mais de 200[1] que assistem à missa na única capela[2] — e liberdade de religião tem sido difícil de obter nos últimos tempos, especialmente sob o antigo regime taliban. Em 16 de maio de 2002, o Papa João Paulo II estabeleceu uma missão sui iuris no Afeganistão, com o padre Giuseppe Moretti como seu primeiro superior e responsável.[1] A única igreja católica no país é a capela na embaixada italiana em Cabul.[2] Em 2004, as Missionárias da Caridade chegaram em Cabul para desenvolver trabalho humanitário.[3]
Índice |
De acordo com o evangelho apócrifo de Tomé e outros documentos antigos, São Tomé pregou na Báctria, que é hoje o norte do Afeganistão.[4] Os Nestorianos implantaram o cristianismo na área, e houve nove bispos e dioceses na região, incluindo Herat (424-1310), Farah (544-1057), Kandahar e Balkh. Esta organização da Igreja nestoriana foi destruída por invasões muçulmanas no século VII [5], embora o território não tenha sido substancialmente controlado por muçulmanos até aos séculos IX e X.[6] Em 1581 e 1582, os jesuítas e o português Bento de Góis foram calorosamente recebidos pelo Imperador Akbar, mas não houve presença duradoura dos jesuítas no país. [7][8]
A Itália foi o primeiro país a reconhecer a independência do Afeganistão em 1919, e o governo afegão perguntou como poderia agradecer a Itália. Roma solicitou o direito de construir uma capela, que estava sendo solicitada por estrangeiros que viviam na capital afegã. Uma cláusula que dá a Itália o direito de construir uma capela em sua embaixada foi incluída no tratado ítalo-afegão de 1921, e nesse mesmo ano os barnabitas chegaram para começar o trabalho pastoral.[9] Porém, o trabalho pastoral só começou verdadeiramente em 1933, quando a capela começou a ser construída.[10] Na década de 1950, foi terminada a construção da capela.[11]
O Papa João Paulo II pediu uma solução para a invasão soviética do Afeganistão na década de 1980.[12] De 1990 a 1994, Giuseppe Moretti era o único padre no Afeganistão,[3] mas ele foi forçado a sair e voltar à Itália em 1994, depois de ser atingido por estilhaços. Mas, após o seu tratamento médico, este sacerdote barnabita regressou ao Afeganistão.[13] Depois de 1994, apenas as Irmãzinhas de Jesus foram autorizadas a permanecer no Afeganistão, porque estavam lá desde 1955 e tiveram seu trabalho reconhecido.[14] Contudo, os talibans chegaram ao poder, mas foram derrotados pela invasão norte-americana em 2001.[10] Por causa desta invasão, o Padre Moretti novamente foi forçado a fugir, mas retornou mais tarde, quando os talibans foram derrotados.[13] Após os ataques de 11 de setembro, a Catholic Relief Services enviou alimentos, vestuário e roupa de cama para os refugiados. Eles também enviaram material escolar para que as crianças retornassem para a escola.[15]
A primeira missa em 9 anos foi celebrada em 27 de janeiro de 2002 para os membros da Força de Segurança Internacional e vários membros de agências estrangeiras.[11] Em 16 de maio de 2002, uma missão sui iuris foi criada para todo o Afeganistão.[1] Existe apenas uma capela em funcionamento no país, que está situada na embaixada italiana.[2] Projetos da nova missão incluem uma "escola de paz" para 500 alunos, que será operada segundo "normas europeias".[3] Três freiras também trabalham com deficientes mentais em Cabul: como por exemplo, elas ensinam às pessoas com paralisia cerebral como irem ao banheiro e como comerem sozinhos.[16] A pequena comunidade passou por um período de crise durante o sequestro de Clementina Cantoni, da Care International, por quatro homens armados em Cabul quando se dirigia a seu carro em 17 de maio de 2005.[17] As Missionárias da Caridade tiveram sua casa abençoada em 9 de maio de 2006, e começaram a adotar crianças de rua. Houve temores de que o hábito azul e branco iria fazê-las se destacarem e serem perseguidas pelos muçulmanos, mas geralmente são respeitadas.[18] O Serviço Jesuíta aos Refugiados também se juntou ao crescente número de ordens religiosas no país.[14] Os jesuítas também abriram recentemente uma escola técnica em Herat para 500 alunos, incluindo 120 meninas.[19]
Tem havido esforços para iniciar o diálogo inter-religioso entre o Vaticano e o Supremo Tribunal afegão. O mulá Faisal Ahmad Shinwari participou da inauguração da nova missão e manifestou o desejo de se encontrar com o Papa.[20]
A comunidade católica no Afeganistão é formada principalmente por estrangeiros, não havendo afegãos atualmente a fazerem parte da Igreja, principalmente devido à pressão social e legal para não se converterem a religiões não-islâmicas. Alguns afegãos se converteram no estrangeiro, mas mantêm segredo quando regressam ao seu país, tentando assim evitar problemas que afectaram, como por exemplo, Abdul Rahman.[21][22] Apesar disso, a comunidade cresceu de apenas algumas freiras a cerca de 100 pessoas em uma missa dominical.[2]
Relações com o novo governo democrático do Afeganistão têm sido positivas: o presidente Hamid Karzai esteve presente no funeral do Papa João Paulo II e felicitou o Papa Bento XVI pela sua eleição.[23] O Núncio Apostólico no Paquistão visitou o Afeganistão em 2005 e realizou uma missa na Capela da Embaixada italiana para uma grande multidão. Os católicos têm a esperança de que uma igreja católica aberta ao público afegão e laços diplomáticos oficiais entre a Santa Sé e o Afeganistão serão possíveis no futuro.[24]