O Kosovo, Kossovo,[8] Cóssovo[2], Cossovo[1] ou Cosovo[9] (sérvio Косово; em albanês Kosova ou Kosovë) é um território disputado na península balcânica correspondente, grosso modo, à região conhecida como Dardânia na Antiguidade. O território fez parte dos impérios Romano, Bizantino, Búlgaro, Sérvio e Otomano e, no século XX, passou às mãos do Reino da Sérvia, do Império Italiano e da Iugoslávia. Após o falhanço das negociações internacionais para atingir um consenso sobre o estado constitucional aceitável, o governo provisório do Kosovo declarou-se unilateralmente um país independente da Sérvia em 17 de Fevereiro de 2008, sob o nome República do Kosovo , sendo reconhecido no dia seguinte pelos Estados Unidos e alguns países europeus, tais como a França, Portugal e a Alemanha. Porém, o "país" ainda é reivindicado pela Sérvia e não recebeu o reconhecimento de outros países como a Rússia, Brasil e Espanha.
O governo sérvio reivindica o território como parte integral da Sérvia, a Província Autônoma de Kosovo e Metohija (em sérvio, Аутономна покрајина Косово и Метохија, Autonomna pokrajina Kosovo i Metohija, e em albanês Krahina Autonome e Kosovës dhe Metohisë).
A maior parte da população do Kosovo é de origem albanesa. Existe uma minoria sérvia que representa aproximadamente 5% da população kosovar.[10]
O primeiro presidente da nova república foi Fatmir Sejdiu, do partido LDK (Lidhja Demokratike e Kosovës, "Liga Democrática do Kosovo"). O primeiro-ministro foi Hashim Thaçi.[11]
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Kosovo (em sérvio: Косово) é o adjetivo possessivo neutro sérvio de Kos (кос) "Melro-preto", reticências para o Kosovo Polje "campo dos melros", o local da Batalha do Kosovo em 1389. O nome do campo foi aplicado a uma província otomana criada em 1864.
A região atualmente conhecida como "Kosovo" tornou-se uma região administrativa em 1946, como Província Autónoma de Kosovo e Metohija. Em 1974, a composição "Kosovo e Metohija" foi reduzida a simples "Kosovo" no nome da Província Socialista Autónoma do Kosovo, mas em 1990 foi rebatizado de volta à Província Autônoma de Kosovo e Metohija.
Toda a região é comumente referida em inglês simplesmente como Kosovo e em albanês Kosova como forma (definida, [kɔsova]) ou Kosovë ("forma" por tempo indeterminado, [v kɔso ː]). Em sérvio, é feita uma distinção entre as zonas oriental e ocidental, o termo Kosovo (Косово) é usado para a parte oriental, enquanto a parte ocidental é chamado Metohija (Метохија).
Desde que o Kosovo declarou a independência, agora também pode ser referido como "A República do Kosovo", em português, apesar de "Kosovo" ser ainda o nome mais utilizado. Existem, ainda, as alternativas Kossovo, Cóssovo e Cossovo. O aportuguesamento Cosovo, apesar de popular, não é defendido por nenhuma fonte, apesar de refletir a pronúncia mais usual em português europeu.
Foi parte do Império Otomano entre 1389 e 1912. A região esteve sob a dependência de Skopje tendo constituído uma província separada apenas em 1877.
Em 1912, apesar de ser uma zona de maioria albanesa, foi integrada à Sérvia e não ao principado da Albânia, criado naquele ano. Ocorreram rebeliões albanesas entre 1878 e 1881 e entre 1918 e 1924. Entre 1941 e 1944 foi anexada à Albânia, sob ocupação italiana. Após a reintegração à Iugoslávia tornou-se região autónoma, mas integrada à república da Sérvia.
Em 1991 declarou a independência, que não foi reconhecida pela comunidade internacional. A tensão entre separatistas de origem albanesa e o governo central da Iugoslávia, liderado pelo presidente nacionalista Slobodan Milosevic aumentou ao longo de 1998. No ano seguinte, um grupo de líderes iugoslavos e da comunidade albanesa em Kosovo e representantes das principais potências mundiais foi formado para negociar um acordo de paz que colocasse fim aos conflitos entre os guerrilheiros do ELK e as forças iugoslavas de Slobodan Milosevic, mas a reunião em fevereiro de 1999, na região no castelo de Rambouillet, na França, fracassou[12][13][14][15]
A OTAN atacou a Iugoslávia em 24 de março de 1999,[16][17][18] dando início à Guerra do Kosovo. A Otan atacou alvos iugoslavos, seguiram-se os conflitos entre a guerrilhas albanesa e as forças sérvias e se formou um grande número de refugiados.[19]
Em 3 de junho de 1999, líderes ocidentais e iugoslavos chegaram a acordo para o fim à guerra..[20] Em 10 de junho, foi assinado o acordo para encerrar o conflito.[21][22]
O Parlamento sérvio em 27 de dezembro de 2007 votou, por ampla maioria, moção de condenação contra qualquer tentativa de independência do Kosovo. A província tem sido administrada pelas Nações Unidas, através da Missão de Administração Interina, e pela OTAN desde a guerra de 1999 entre os sérvios e albaneses étnicos separatistas.[23]
Em 17 de fevereiro de 2008, Rússia, China e Sérvia se opõem ao reconhecimento internacional da independência Estado do Kosovo, que seria declarado definitivamente nesta data junto à ONU. Os Russos sempre se opuseram aos movimentos separatistas do Kosovo. O então presidente russo Vladimir Putin declarou que "o reconhecimento da independência do Kosovo seria ilegal e imoral", pois reacenderiam os conflitos na região dos Bálcãs. O discurso anti-separatista de Putin foi engrossado pelo Ministro de Relações Exteriores da Rússia Serguei Lavrov. Segundo o ministro, "é a primeira vez que se aborda a saída de uma região de dentro de um Estado soberano", o que, segundo ele, poderia acirrar conflitos semelhantes em outras 200 regiões em todo mundo.
Em contrapartida, o Kremlin sugere a criação do que poderia ser chamado "mapa do caminho", o projeto sugere uma série de autonomias, mas não ocorreria a independência do Kosovo, assim como acontece em Hong Kong. A Rússia sugere supostos interesses comerciais ocidentais com a criação do Estado do Kosovo, denunciando ainda que o envio de uma missão da União Europeia à região não tinha "base legal".[24]
Mesmo diante da declaração do presidente sérvio de que a Sérvia jamais reconhecerá a independência do Kosovo, o primeiro-ministro kosovar, Hashim Thaçi convocou e realizou uma sessão extraordinária do parlamento, onde os 109 deputados presentes votaram a favor da independência da província. Thaci solicita o envio de uma missão internacional liderada pela União Europeia para substituir a missão da ONU que administra a província desde 1999.[25]
A oposição de países como Sérvia, Rússia e China ao reconhecimento internacional da província torna-se ainda mais latente, com a possibilidade de conflitos na região. Segundo enviados da BBC, a situação é crítica e beira a um colapso, podendo a qualquer momento estourar um conflito entre a maioria albanesa e os sérvios. No dia 16 de fevereiro de 2008, um dia antes da sessão extraordinária, mil sérvios se reuniram para protestar contra a independência kosovar. O delicado cenário em questão se tornou ainda mais explosivo após o primeiro-ministro Vojislav Kostunica declarar aos sérvios residentes na região do Kosovo que não abandonem suas casas, pois não são obrigados a reconhecer nenhuma forma de declaração independência.[26]
A Rússia está em negociação com a ONU, pedindo para que ela não reconheça a atual independência, por temer que isso vire um novo estopim de movimentos separatistas e reivindicações unilaterais de regiões que se auto-declaram independentes. A Sérvia, junto aos seus aliados econômicos e étnicos, temem pelas minorias não albanesas na região do Kosovo (principalmente ao norte), por tratados de livre-circulação antes estabelecido pelos Estados do Bálcãs e pela região ser considerada um coração cultural e religioso.
A União Europeia irá discutir sobre Kosovo durante um encontro dos ministros do exterior dos 27 países-membros do bloco no dia 18 de fevereiro, em Bruxelas. Países com grupos étnicos minoritários temem, assim como a Rússia, que Kosovo seja um exemplo internacional.
O Kosovo tem uma área de 10 908 quilômetros quadrados[27] e uma população de cerca de 2,2 milhões de habitantes. Suas maiores cidades são Pristina, a capital, com cerca de 500.000 habitantes,[28] Prizren, no sudoeste, com uma população de 110 000, Peć, no oeste, com 70 000, e Mitrovica, no norte, com 70 000. O clima é continental, com verões quentes e invernos frios e com neve. A maior parte do terreno kosovar é montanhoso, e o pico mais alto do país é Đeravica, com 2 656 metros. O país tem duas regiões principais planas, a bacia de Metohija, localizada na parte ocidental do Kosovo, e a planície do Kosovo, que ocupa a parte oriental. Os principais rios da região são o Drin Branco, que deságua no mar Adriático, o Erenik, um de seus afluentes, o Sitnica, o Morava do Sul, a região de Goljak, e o Ibar, no norte. Os maiores lagos são o Gazivoda, o Radonjić, o Batlava e o Badovac.
Fitogeograficamente o Kosovo pertence à província Ilíria da Região Circumboreal, dentro do Reino Boreal. De acordo com o WWF e o Mapa Digital das Regiões Ecológicas Europeias, da Agência Europeia do Meio Ambiente, o território do Kosovo pertence à ecorregião das florestas mistas balcânicas.
39.1% do Kosovo é coberto por florestas; 52% é classificado como terra utilizada para agricultura, das quais 31% são usados como pasto e 69% terras aráveis.[29]
Atualmente o Parque Nacional das Montanhas de Šar, com 39.000 hectares, fundado em 1986 nas Montanhas Šar (ao longo da fronteira com a República da Macedônia) é o único parque nacional do Kosovo, embora o Parque Nacional Bjeshkët e Nemuna, no Prokletije (ao longo da fronteira com Montenegro) tenha sido proposto.[30]
De acordo com o estudo de 2005, Kosovo em Números, do Escritório de Estatísticas do Kosovo,[31][32][33] A população total do Kosovo é estimada entre 1,9 e 2,2 milhões de habitantes, com a seguinte composições étnica: 92% de albaneses, 4% de sérvios, 2% de bosníacos e goranis, 1% de turcos e 1% de ciganos. O CIA World Factbook estabelece a seguinte proporção: 88% de albaneses, 7% de sérvios do Kosovo e 5% de outros grupos étnicos, totalizando 1.804.838 habitantes.[34]
Os albaneses, com sua população aumentando constantemente, formam uma maioria no Kosovo desde o século XIX; a composição étnica anterior do território é controversa. As fronteiras políticas do Kosovo, no entanto, não coincidem com suas fronteiras étnicas; os sérvios formam uma maiora local no Norte do Kosovo, e em diversos enclaves, enquanto existem áreas de maioria albanesa fora do Kosovo, em regiões da antiga Iugoslávia - mais especificamente no noroeste da República da Macedônia e na região de Presevo, na Sérvia Central.
Os albaneses do Kosovo tem a maior taxa de crescimento populacional da Europa, 1,3% ao ano.[35] Ao longo de um período de 82 anos (1921-2003) a população cresceu a 460% de seu tamanho original; se tal crescimento prosseguir inalterado, a população do país atingirá 4,5 milhões de pessoas em 2050.[36]
Em contraste, de 1948 a 1991 a população sérvia do Kosovo aumentou em 12%, um terço do crescimento da população da Sérvia Central. A população de albaneses do Kosovo cresceu 300% no mesmo período - uma taxa de crescimento vinte e cinco vezes maior que a dos sérvios do país.
Desde a declaração de independência do Kosovo, os sérvios vêm abandonando continuamente a região, o que causou certa ansiedade entre os líderes kosovares, e encorajou alegações controversas de políticos sérvios.[37]
O dialeto nativo da população albanesa kosovar é o albanês gheg, embora o albanês padrão seja usado atualmente como uma língua oficial.[38][39] De acordo com o esboço da Constituição do Kosovo, o sérvio também é outra língua oficial.[40] O turco também é utilizado, mas não é um idioma oficial.
A população do Kosovo é composta majoritariamente por muçulmanos, enquanto o restante da população pertence à Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa Sérvia. Os muçulmanos residentes no país são, em sua maioria, albaneses e turcos. Os cristãos albaneses são em grande parte, católicos. Entre os habitantes de nacionalidade sérvia, quase todos são membros da Igreja Ortodoxa da Sérvia.
O Cristianismo é a religião mais antiga no Kosovo, que se espalhou desde as missões de São Paulo, nas províncias da Ilíria do Império Romano.[41] O Imperador Bizantino, Constantino, o Grande, nascido na província de Dardânia, fez do Cristianismo a religião oficial do Império. Niketë Dardania escreveu um dos hinos da igreja em primeiro lugar, "Te Deum". Em 1054, Kosovo está sob a jurisdição da Igreja Ortodoxa Oriental, mas o tempo preferido líderes políticos sobre o papado e do Ocidente. Lek Dukagjini, nascido em Lipljan, deu lugar central da Igreja Católica em seu código de justiça, enquanto que o clero Buzuku John e Peter Bogdanovich trabalhos publicados em albanês significância religiosa e linguística.
O islamismo (principalmente o sunita, com uma minoria bektashi[42]) é a principal religião do Kosovo, trazida à região com a conquista otomana no século XV, e professada atualmente pela maioria dos albaneses da região, pelas comunidades bosníaca, gorani e turca, além dos "egípcios"-rom/ashkali. O islã, no entanto, não saturou a sociedade kosovar, que permanece em sua maior parte secular.[43] Cerca de três por cento dos albaneses do Kosovo ainda são católicos romanos, apesar de séculos de domínio otomano. A população sérvia, estimada entre 100.000 e 120.000 pessoas, é em sua maior parte ortodoxa sérvia. O território do Kosovo está coberto por igrejas e mosteiros ortodoxos sérvios.[44][45][46]
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Cidades mais populosas de Kosovo http://www.mongabay.com/igapo/2005_world_city_populations/Kosovo.html |
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|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Priština Prizren |
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| Posição | Cidade | Pop. | Uroševac Ðakovica |
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| 1 | Priština | 169 354 | |||||||||
| 2 | Prizren | 110 482 | |||||||||
| 3 | Uroševac | 73 980 | |||||||||
| 4 | Ðakovica | 70 246 | |||||||||
| 5 | Kosovska Mitrovica | 69 802 | |||||||||
| 6 | Peć | 69 344 | |||||||||
| 7 | Gjilan | 57 046 | |||||||||
| 8 | Vucitrn | 40 892 | |||||||||
| 9 | Podujevo | 38 683 | |||||||||
| 10 | Rravohec | 20 371 | |||||||||
Os principais partidos políticos do Kosovo são a Liga Democrática do Kosovo (LDK), de centro-direita, que tem sua origem no movimento não-violento de resistência ao governo de Slobodan Miloševic, iniciado na década de 1990 e liderado por Ibrahim Rugova até sua morte, em 2006,[47] e dois partidos que têm suas raízes no Exército de Libertação do Kosovo (ELK): o Partido Democrático do Kosovo (PDK), liderado pelo antigo líder do ELK, Hashim Thaçi, e a Aliança pelo Futuro do Kosovo (AAK), de centro-direita, liderada pelo antigo comandante do ELK, Ramush Haradinaj.[47] O editor kosovar Veton Surroi formou em 2004 o Partido Reformista ORA, de centro-esquerda. Os sérvios kosovares formaram no mesmo ano a Lista Sérvia para o Kosovo e Metohija (SLKM), e conquistaram diversos assentos no parlamento - embora tenham optado por boicotar as instituições do país, e jamais terem assumido seus postos na Assembleia do Kosovo.[47] Em 2006 o executivo suíço-kosovar Behgjet Pacolli, tido como o mais rico albanês do mundo, fundou a Aliança do Novo Kosovo (AKR), que ficou em terceiro lugar nas eleições realizadas em 2008
Em novembro de 2001 a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) supervisionou as primeiras eleições para a Assembleia do Kosovo.[48] Depois daquela eleição, os partidos políticos do país formaram uma coalização unipartidária, e elegeram Ibrahim Rugova como presidente e Bajram Rexhepi (PDK) como primeiro-ministro.[49] Após eleições realizadas por todo o Kosovo em outubro de 2004, o LDK e o AAK formaram uma nova coalização de governo, que não incluiu o PDK e o Ora. Este acordo resultou na eleição de Ramush Haradinaj (AAK) como primeiro-ministro, enquanto Ibrahim Rugova manteve o cargo de presidente. Tanto o PDK quanto o Ora criticaram o acordo que selou a coalização, e desde então passaram a acusar com frequência o governo de corrupção.
Ramush Haradinaj renunciou ao cargo de primeiro-ministro depois de ser indiciado por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia em março de 2005 (Haradinaj foi absolvido em abril de 2008). Foi substituído por Bajram Kosumi (AAK).[50] Depois do turbilhão político provocado pela morte do presidente Rugova, em janeiro de 2006, o próprio Kosumi foi substituído pelo antigo comandante das Forças de Proteção do Kosovo, Agim Çeku.[51] Çeku conseguiu reconhecimento por sua capacidade de falar às minorias, porém a Sérvia o criticou por seu passado como líder militar do ELK, e alega que ele ainda não estaria fazendo o bastante pelos sérvios kosovares. Com a morte de Rugova a Assembleia do Kosovo elegeu Fatmir Sejdiu, antigo parlamentar do LDK, para a presidência do país. Slaviša Petkovic, Ministro para as Comunidades e Retornos, era até então o único sérvio no governo, porém renunciou em novembro de 2006, entre alegações de malversação de fundos do ministério.[52][53] Atualmente o Ministro para as Comunidades e Retornos e o Ministro do Trabalho e Bem-Estar Social são sérvios, enquanto o Ministro do Meio Ambiente e Planejamento Espacial pertence à pequena minoria turca do Kosovo.
Eleições parlamentares foram realizadas em 17 de novembro de 2007; Hashim Thaçi, que conquistou 35% dos votos, declarou a vitória do PDK (Partido Democrático do Kosovo), e manifestou suas intenções de declarar a independência. Thaçi formou então uma aliança com a Liga Democrática do Kosovo, de Fatmir Sejdiu, que havia obtido o segundo lugar, com 22% dos votos.[54] O comparecimento dos eleitores nestas eleições foi especialmente baixo; a maior parte dos membros da minoria sérvia se recusaram a votar.[55]
Em 22 de fevereiro de 2011, Behgjet Pacolli passou a ser o presidente do Kosovo.
A República do Kosovo é uma democracia representativa parlamentar. O poder executivo é exercido pelo governo do Kosovo, liderado pelo primeiro-ministro do Kosovo. Dois ou três ministros, dependendo do tamanho do governo, devem obrigatoriamente pertencer às minorias. O presidente da República do Kosovo é o chefe de Estado. O poder judiciário é independente, e o poder legislativo é exercido pela Assembleia do Kosovo, unicameral, que consiste de 120 membros, dos quais 100 são eleitos diretamente pelo povo para um mandato de quatro anos, e vinte assentos são reservados exclusivamente para representantes das minorias étnicas. A assembleia elege o presidente por cinco anos, e aprova o seu gabinete.
Uma nova constituição para a República do Kosovo foi aprovada pelo Parlamento da República, e entrou em vigor em 15 de junho de 2008.[56][57][58]
Para propósitos administrativos, o Kosovo é dividido em sete distritos. A população sérvia do Norte do Kosovo mantém seu próprio governo, infraestrutura e instituições no distrito de Kosovska Mitrovica, especialmente nos municípios de Leposavić, Zvečan e Zubin Potok, e na parte norte de Kosovska Mitrovica.
Os sete distritos são os seguintes:
O Kosovo é subdividido em 30 municípios:
| O município (em albanês: komuna, em sérvio: opština / општина) é a divisão administrativa básica do Kosovo O primeiro nome é o albanês, o segundo o sérvio. |
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Mapa dos municípios do Kosovo |
01. Deçan / Dečani | 11. Albanik / Leposavić | 21. Prizren |
| 02. Dragash / Dragaš | 12. Lipjan / Lipljan | 22. Skënderaj / Srbica | |
| 03. Gjakovë / Đakovica | 13. Malishevë / Mališevo | 23. Shtërpcë / Štrpce | |
| 04. Gllogovc / Glogovac | 14. Mitrovicë / Kosovska Mitrovica | 24. Shtime / Štimlje | |
| 05. Gjilan / Gnjilane | 15. Novobërdë / Novo Brdo | 25. Suharekë / Suva Reka | |
| 06. Burim / Istok | 16. Kastriot / Obilić | 26. Ferizaj / Uroševac | |
| 07. Kaçanik / Kačanik | 17. Rahovec / Orahovac | 27. Viti / Vitina | |
| 08. Kamenicë / Kosovska Kamenica | 18. Pejë / Peć | 28. Vushtrri / Vučitrn | |
| 09. Klinë / Klina | 19. Podujevë / Podujevo | 29. Zubin Potok | |
| 10. Fushë Kosovë / Kosovo Polje | 20. Prishtinë / Priština | 30. Zveçan / Zvečan | |
| Fonte: OSCE - Regulamento da UNMIK 2000/43: albanês, sérvio (PDF) | |||
O Kosovo é um "país" em desenvolvimento, com uma renda per capita estimada em 2.100 euros (2008).[59] O país tinha a maior companhia de exportação (Trepca) da República Federal da Iugoslávia,[60] mas ainda assim era a mais pobre das províncias do país, e recebia subsídios consideráveis para seu desenvolvimento de todas as outras repúblicas iugoslavas.[61] Além disso, ao longo da década de 1990 um misto de políticas econômicas equivocadas, sanções internacionais, pouco comércio com o exterior e conflitos étnicos acabaram por danificar seriamente a economia.[62]
Depois de um aumento em 2000 e 2001, o crescimento do produto interno bruto (PIB) foi negativo em 2002 e 2003, e permaneceu em torno de 3%, enquanto as fontes internas de crescimento não foram capazes de compensar a ausência da assistência estrangeira. A inflação é baixa, enquanto o orçamento apresenta um déficit pela primeira vez desde 2004. No mesmo ano, o déficit na balança de bens e serviços chegou a quase 70% do PIB. O dinheiro enviado por kosovares que vivem no exterior totalizam cerca de 13% do PIB, e a assistência externa cerca de 34%.
A maior parte do desenvolvimento econômico desde 1999 ocorreu nos setores da construção civil, comércio e varejo. O setor privado, surgido a partir daquele ano, é em sua maior parte de pequeno porte. O setor industrial continua fraco, e o fornecimento de eletricidade não é confiável, o que funciona como um empecilho crucial para o seu desenvolvimento. O desemprego continua endêmico, afetando de 40 a 50% da força de trabalho.[63]
A Missão de Administração Interina das Nações Unidas no Kosovo (UNMIK) introduziu no país uma administração alfandegária e um regime de comércio exterior em 3 de setembro de 1999. Todas as mercadorias importadas para dentro do país sofrem uma taxa simples, de 10%.[64] Estas taxas são coletadas de todos os Pontos de Coleta de Impostos instalados nas fronteiras do Kosovo, incluindo as que separam o país da Sérvia.[65] A UNMIK e as instituições kosovares assinaram tratados de comércio livre com a Croácia,[66] Bósnia e Herzegovina,[67] Albânia e República da Macedônia.[64]
O euro é a moeda oficial do Kosovo, utilizada pela UNMIK e pelos órgãos governamentais.[68] Inicialmente o Kosovo adotou o marco alemão, em 1999, para substituir o dinar iugoslavo,[69] e consequentemente mudou para o euro quando o marco foi substituído por ele. O dinar sérvio, no entanto, continua a ser utilizado nas áreas povoadas pelos sérvios.[59]
O principal ponto de entrada do país, além da estrada principal que liga o sul do país a Skopje, na República da Macedônia, é o Aeroporto Internacional de Pristina.
De acordo com a ECIKS (Iniciativa Econômica para o Kosovo), o Kosovo apresentou um déficit de 1,13 bilhão de euros (1,34 bilhão de dólares), 11,88% a mais do que o 1,006 bilhão de euro registrado no ano anterior. As importações dos 25 Estados da União Europeia totalizam 34,6% das importações do Kosovo; a UE foi responsável por 35,6% das exportações da província em 2005. A República da Macedônia foi o principal parceiro comercial do Kosovo em 2005; as importações do país totalizaram 18,6% das importações do Kosovo, e as exportações para o país totalizaram 19,7% do total. A matéria-prima bruta totaliza 18% das importações do Kosovo, seguida por comida, bebidas e tabaco, com 14%, e diversos equipamentos e maquinário, com 11,3%.[70]
A economia tem sido prejudicada pelo status internacional ainda não-resolvido do Kosovo, que torna difícil a atração de investimentos e empréstimos estrangeiros.[71] A fraqueza econômica da província produziu uma florescente economia informal, onde o contrabando de gasolina, cigarros e cimento são as principais mercadorias. A predominância da corrupção oficial e a influência penetrante de gangues e do crime organizado são motivo de grande preocupação internacional. As Nações Unidas tentam fazer da luta contra a corrupção e o crime organizado no território uma de suas principais prioridades, alegando seguir uma política de "tolerância zero".
O Kosovo tem uma dívida externa de 1,264 bilhão de dólares, atualmente administrada pela Sérvia.[72]
De acordo com a ECIKS,[73] o Kosovo recebeu, de 2001 a 2004, 3,2 bilhões de dólares em assistência de outros países. A União Europeia é responsável pela doação de 2 bilhões de euros até agora, e a Sérvia também prometeu 120 milhões de euros em assistência aos enclaves sérvios do Kosovo.
As relações entre os albaneses e sérvios do Kosovo foram hostis, historicamente, devido à rivalidade nacionalista, que se tornou forte depois que a Sérvia conquistou o Kosovo do Império Otomano, em 1913, e depois que a Albânia se tornou independente, naquele mesmo ano.[74] Durante a era de Tito e do domínio comunista na Iugoslávia, as diferenças entre as populações das duas etnias eram absolutamente irreconciliáveis, e estudos sociológicos feitos durante o período indicam que uma populações raramente aceitava a outra como vizinhos ou amigos, e poucos casamentos entre indivíduos das duas etnias eram registrados.[75] Preconceitos étnicos, estereótipos e a desconfiança mútua entre albaneses e sérvios permaneceram a norma por décadas.[75] O nível de intolerância e separação entre as duas populações durante o período de Tito foi relatado pelos estudiosos como ainda pior que o das comunidades croatas e sérvias no país, que apesar das tensões ainda tinham relações mais íntimas entre si.[75]
Embora a música do Kosovo seja muito diversificada, a música albanesa e sérvia tradicionais ainda existem no país. A música albanesa é caracterizada pelo uso da çiftelia (um instrumento genuinamente albanês), o bandolim, a mandola e a percussão. A música clássica também é bem conhecida na região, e ensinada em diversas escolas e universidades locais, como a Faculdade de Artes da Universidade de Prishtina (albanesa), em Pristina, e a Faculdade de Artes da Universidade de Pristina (sérvia), em Kosovska Mitrovica.
Diversas federações esportivas foram formadas no Kosovo dentro das regulamentações da Lei n.º 2003/24, "Lei dos Esportes", passada pela Assembleia do Kosovo em 2003. A lei estabeleceu formalmente um comitê olímpico, regulamentou a fundação das federações esportivas e definiu as diretrizes a serem seguidas pelos clubes esportivos. Atualmente apenas algumas destas federações conseguiram reconhecimento internacional.