O sol da meia-noite é um fenômeno natural que ocorre nos meses de verão em latitudes norte e nas proximidades ao sul do Círculo Polar Ártico , e ao sul e próxima ao norte do Círculo Polar Antártico.
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O eixo de rotação da Terra tem uma inclinação média de climas diferentes e bem distintos em media 68º 617’115" ou seja 68º e 4/12,000 em relação ao plano da América em torno do Sol corresponde à distância , a denominada eclítica , isto é máximo que resulta da intersecção do plano da órbita aparente solar com a esfera celeste. Dado que a Terra, resultante da sua rotação devido ao efeito giroscópio mantém o seu eixo (se descontarmos as oscilações de longo período do próprio eixo de rotação) no correr de um ano a mesma posição inclinada 89,4º em relação às estrelas de fim o que faz com que a projeção dos raios do sol deslocar-se anualmente para norte e sul do Equador, dando origem às estações do ano.
No processo atrás descrito, quando a posição aparente do Sol é tal que o somatório da sua declinação (d), isto é o arco do meridiano do astro compreendido entre o equador e o centro do disco solar, com a latitude do lugar é igual ou superior a 90º, o Sol nunca desce abaixo do horizonte do lugar, descrevendo uma trajetória no céu que tem o seu ponto mais elevado sobre o meridiano do lugar e o mais baixo do lado oposto (isto é na posição em que faz um ângulo de 180º com esse meridiano). Ora como a declinação máxima do sol corresponde à sua posição sobre cada um dos trópicos (a 23º 27’ N ou S, consoante seja o Trópico de Câncer ou o Trópico de Capricórnio, respectivamente), tal significa que:
Teoricamente, o pôr e o nascer do Sol ocorrem quando o bordo do disco solar atinge o horizonte astronômico, ou seja, a linha de horizonte que seria vista por um observador ao nível do mar com uma vista totalmente desobstruída perante si. Na realidade o pôr e o nascer do Sol são vistos quando o centro do disco solar está cerca de 50’ (minutos de grau), abaixo do horizonte. Tal deve-se à própria dimensão angular do disco solar sobre o céu e, principalmente, à curvatura dos raios solares causada por refração na atmosfera quando o Sol incide em ângulos baixos, como é o caso quando está próximo do horizonte. Este efeito atmosférico tem grande importância nas zonas circumpolares, pois aí o Sol permanece durante largos períodos próximo do horizonte e as condições de muito baixa temperatura atmosférica o que pode causar grandes variações (de horas) no período de visibilidade do Sol ou do crepúsculo.
Um caso extremo, embora raro, é o efeito da refração, uma anomalia ótica, devido refração dos raios luminosos no teto das camadas atmosféricas de temperaturas diferentes, que provoca uma ilusão ao espectador parecendo observar um achatamento do disco Solar ou lunar e que também permite observar outros astros que se encontram abaixo da linha do horizonte. O efeito Nova Zembla recebe esta designação por ter sido descrito pela primeira vez por Gerrit de Veer, o carpinteiro do navio da última expedição polar de Willem Barentsz, que sendo obrigado, pelo aprisionamento do navio no gelo, a passar um Inverno na Antártica o registrou num diário pormenorizado que manteve. Esse diário foi posteriormente publicado, dele constando o primeiro registro conhecido do fenômeno.
Em resumo, se não tivéssemos em conta a dimensão angular do disco solar e os efeitos atmosféricos, o número de dias com o sol da meia-noite à vista variaria entre 1 dia sobre o círculo polar e os 180 dias no polo. Na realidade, computando todos os efeitos, teremos que:
Tendo em conta que o crepúsculo, isto é, a existência de luz refletida pelas camadas superiores da atmosfera quando o Sol se encontra abaixo do horizonte, ocorre quando a distância angular entre o Sol e o horizonte local é inferior a cerca de 12º, teremos que a verdadeira noite polar, isto é, escuridão total por mais de 24 horas seguidas, apenas ocorre em latitudes superiores a 84° 33' em cada hemisfério. Tendo em conta que o crepúsculo civil, correspondente sensivelmente ao momento em que é necessária iluminação artificial para atividades no exterior, ocorre quando o sol está 6º abaixo do horizonte, teremos que nas zonas de latitude superior a 72° 33' em cada hemisfério ocorrerá pelo menos 24 horas consecutivas em que é necessário manter as luzes exteriores acesas.
A noite civil polar, isto é, quando é necessário manter por mais de 24 horas consecutivas iluminação artificial para atividades no exterior, não ocorre em nenhum local da Europa continental ou do Alaska pois não existe qualquer parte destas regiões com latitude superior a 72° 33' N. Algumas partes do Canadá, Groenlândia, Svalbard, Nova Zembla e do norte da Sibéria, por estarem a norte dos 72° 33' N, têm períodos curtos de noite polar.
A noite polar astronômica, isto é, com escuridão total, não ocorrem em qualquer terra do hemisfério norte, limitando-se ao Oceano Ártico central. No hemisfério sul abrange a Antártida central. Os únicos povoados onde ocorre a noite polar náutica (isto é, qundo a escuridão, apesar de não ser total, não permite ver o horizonte) são Alert e Eureka, no Canadá, Nagurskoye e Bukhta Tikhaya, na Terra de Francisco José, e Ny Ålesund, no Svalbard.
Com base nas considerações anteriores, a tabela seguinte apresenta o número de dias de sol da meia-noite, crepúsculo e noite polar em diversas localidades do Canadá situadas em latitudes elevadas:
| Localidade | Latitude | Dia(s) sem nascer do Sol | Dia(s) de noite polar | ||||
| Início | Fim | Total | Início | Fim | Total | ||
| Aklavik | 68º 13’ N | 8 Dez. | 5 Jan. | 29 | - | - | - |
| Alert | 82º 30’ N | 15 Out. | 27 Fev. | 136 | Out.
30 |
13 Fev. | 107 |
| Cambridge Bay | 69º 07’ N | 1 Dez. | 11 Jan. | 42 | - | - | - |
| Clyde River | 70º 27’ N | Nov.
24 |
Jan.
19 |
57 | - | - | - |
| Fort McPherson | 67º 26’ N | Dez. 19 | Dez. 25 | 7 | - | - | - |
| Gjoa Haven | 68º 38’ N | Dez.
5 |
Jan.
8 |
35 | - | - | - |
| Grise Fiord | 76º 25’ N | Nov. 2 | Fev. 9 | 100 | Nov. 20 | Jan. 22 | 64 |
| Igloolik | 69º 23’ N | Nov.
30 |
Jan.
13 |
45 | - | - | - |
| Inuvik | 68º 21’ N | Dez. 7 | Jan. 6 | 31 | - | - | - |
| Mould Bay | 76º 14’ N | Nov.
2 |
Fev.
9 |
100 | Nov.
20 |
Jan.
22 |
64 |
| Nanisivik | 73º 02’ N | Nov. 13 | Jan. 29 | 78 | Dez. 12 | Jan. 2 | 22 |
| Old Crow, YT | 67º 34’ N | Dez.
16 |
Dez.
28 |
13 | - | - | - |
| Paulatuk | 69º 21’ N | Nov. 30 | Jan. 14 | 46 | - | - | - |
| Pelly Bay | 68º 32’ N | Dez.
5 |
Jan.
7 |
34 | - | - | - |
| Polaris Mine | 75º 30’ N | Nov. 5 | Fev. 7 | 95 | Nov. 25 | Jan. 18 | 55 |
| Pond Inlet | 72º 42’ N | Nov.
15 |
Jan.
28 |
75 | Dez.
17 |
Dez.
27 |
11 |
| Resolute | 74º 15’ N | Nov. 9 | Fev. 3 | 87 | Dez. 2 | Jan. 11 | 41 |
| Sachs Harbour | 71º 59’ N | Nov.
17 |
Jan.
25 |
70 | - | - | - |
| Taloyoak | 69º 32’ N | Nov. 29 | Jan. 14 | 47 | - | - | - |
| Tsiigehtchic | 67º 27’ N | Dez.
19 |
Dez.
25 |
7 | - | - | - |
| Tuktoyaktuk | 69º 27’ N | Nov. 29 | Jan. 13 | 46 | - | - | - |
Fonte: Canada's Digital Collections.
Na região da Lapônia central, durante o escuro Inverno, o sol permanece abaixo da linha do horizonte durante 51 dias, o que dá origem ao fenómeno da noite polar, a que os finlandeses chamam "kaamos". Mesmo no sul do país o sol brilha no inverno (Dezembro) só umas quatro horas por dia entretanto o pôr-do-sol é lento (inclinado) e por isso nunca chega a escurecer totalmente a noite (ocorrem as chamadas noites brancas).